Mês: julho 2013

Homicídio de ex-deputado estadual é elucidado

POR NETO FERREIRA

Um trabalho conjunto de investigação da Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI) e da 13ª Delegacia Regional e 11ª Companhia Independente da Polícia Militar, ambas sediadas no município de Presidente Dutra, elucidou o homicídio do ex-deputado estadual Edilson Peixoto, fato ocorrido no dia 25, no município de Dom Pedro.

Durante a ação foram presos, temporariamente, por trinta dias, Antônio Luís Pereira de Sousa, 46 anos, conhecido como Antônio Velho e Valdeth Gomes de Freitas, 45, apontados como um dos executores e um dos mandantes do crime. Eles foram presos nesta terça-feira (30), durante operação montada para dar cumprimento a mandados de busca e apreensão e de prisão temporária.

De acordo com o delegado Paulo Arthur Garcia, titular de Presidente Dutra, há indícios de que Antônio Velho seja autor de diversos crimes de encomendas na região.

Investigações

Valdeth e Toinho são apontados como os mandantes do assassinato, pois, eles queriam vingar a morte do irmão Diogo, morto no último dia 12 de julho. “Testemunhas disseram que eles comentavam na cidade que matariam quem eles imaginassem que tivesse praticado o crime”, esclareceu o delegado.

A Polícia suspeita de que houve participação de outras três pessoas identificadas apenas como Galego, Tonho Digo e Vandim. As polícias ainda continuam realizando diligências a fim de capturar os três. Os dois que já foram presos estão à disposição da Justiça.

Anúncios

CAMPEÃO DO SEXO

Mirian Goldenberg é antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autora de “Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade” (Ed. Record). Escreve às terças, a cada 15 dias na versão impressa de “Equilíbrio”.

O brasileiro é o povo mais ativo sexualmente de todo o mundo.

O brasileiro faz sexo 145 vezes por ano: só perde para o grego, que faz 164 vezes por ano.

O brasileiro dedica mais tempo ao sexo do que quase todos os outros países. No Brasil, cada relação sexual dura, em média, 21 minutos. A média mundial é de 18 minutos. O Brasil só perde para a Nigéria, país onde o tempo médio da relação é de 24 minutos.

O Brasil, na América Latina, é o país em que homens e mulheres têm o maior número de parceiros sexuais ao longo da vida: uma média de 12, contra dez nos países da América Latina em geral.

O brasileiro é o povo mais infiel do mundo.

O brasileiro faz sexo, em média, três vezes por semana.

Frequentemente nos deparamos com pesquisas que mostram que o brasileiro é um verdadeiro campeão do sexo.

Esse quadro é bem diferente do que encontro nas minhas pesquisas.

Muitas mulheres que entrevistei reclamam de:

– dificuldade ou impossibilidade de atingir o orgasmo;

– necessidade de fingir o orgasmo para deixar o parceiro feliz;

– secura vaginal, dores com a penetração, perda da libido;

– incapacidade de seduzir e de agradar um homem;

– falta de desejo, falta de prazer, de intimidade, de experiência e de carinho;

– insegurança com o próprio corpo e com os próprios odores;

– vergonha das gorduras, das estrias, das celulites, dos peitos caídos e da bunda flácida;

– medo de falar sobre o que gosta na cama.

Apesar da fama de país tropical, onde supostamente viveriam mulheres e homens obcecados por sexo, o que tenho encontrado nas minhas pesquisas é uma enorme insatisfação sexual.

A representação do brasileiro como um povo campeão do sexo faz com que muitas pessoas se sintam distantes de uma performance idealizada em termos de qualidade e de quantidade.

A força dessa representação pode estar provocando uma grande frustração até mesmo em pessoas cuja vida sexual pode ser considerada bastante satisfatória.

O mito sobre o sexo campeão do mundo, quando comparado com a realidade da maior parte dos brasileiros, parece estar escondendo, ou até mesmo produzindo, a sensação de inadequação e também a de profunda miséria sexual.

Em um ano, reajuste da gasolina brasileira está entre os maiores do mundo

Os brasileiros reclamam do alto preço da gasolina e não é à toa. Cruzamento de dados feito pelo GLOBO com base nas estatísticas da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Agência Internacional de Energia (AIE) mostra que, entre julho de 2012 e junho deste ano, enquanto o preço da gasolina aos consumidores ficou 0,4% mais barato na França, 1,8% mais em conta na Alemanha e 1,3% mais baixo na Itália, no Brasil, em média, houve avanço de 4%. A alta só perde para o Japão, que observou reajuste de 5,5%, seguido dos Estados Unidos (5,3%) e Canadá (4,1%). Mesmo diante dos preços altos, especialistas defendem a necessidade de novos aumentos para diminuir a defasagem ante o mercado internacional. Valorização do dólar e preços externos nas alturas alavancam a diferença entre os valores praticados no país e no mercado internacional, o que pode levar a Petrobras a perder até R$ 15,6 bilhões.

— Os aumentos são necessários, o Brasil estava há quase seis anos sem reajustar. A redução nas tarifas de energia (em janeiro) abriu espaço para aumentar o preço da gasolina (e do diesel), mas o mercado sabe que cedo ou tarde os preços terão que subir ainda mais. — defende Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Entre abril e junho deste ano, o valor médio do combustível no país, segundo a Bloomberg, estava em R$ 3,30, cerca de 4,88% do que um trabalhador no país recebe por dia (com base no salário mínimo). Os valores médios diferem dos apresentados pela ANP: de R$ 2,876 em abril e de R$ 2,848 em junho. Esta mesma pesquisa também coloca o Brasil em outra posição nada nobre: somente no segundo trimestre do ano, a gasolina teve reajuste de 15%, o maior percentual entre os 60 países analisados pela empresa.

Apesar de ter sido o avanço mais proeminente no mundo, em valores nominais (sem descontar a inflação), a gasolina brasileira é a 36ª mais cara do planeta, ainda de acordo com a Bloomberg. A lista é liderada por Turquia (R$ 5,30), Noruega (R$ 5,29), Países Baixos (R$ 4,75), Itália (R$ 4,73) e França (R$ 4,52). A mais barata do mundo é a vendida na Venezuela, ao custo de R$ 0,02. Neste quesito, entretanto, a pesquisa é liderada, de longe, pela Índia: os consumidores do país asiático precisam disponibilizar 30,7% do salário de um dia para adquirir um litro de gasolina.

— A percepção simples apenas olhando os dados externos é que temos uma gasolina cara, e é quando comparada ao poder de compra da população. Aumentar a produção, em um primeiro momento, nem é possível porque não temos capacidade instalada neste sentido, faltam refinarias. – afirma Cláudio Pinho, advogado especializado em petróleo e gás e professor associado da Fundação Dom Cabral. — O governo se baseou na venda de carros para impulsionar a economia, agora quem sofre é a população porque a demanda por gasolina aumentou e não vejo solução fácil.

Defasagem em alta

À primeira vista, a posição intermediária do Brasil na lista das gasolinas mais caras do mundo parece ser positiva, mas a diferença entre a cotação do combustível vendido no país pela Petrobras e a comercializada no exterior é uma das principais razões para o forte impacto nas contas da estatal. Para evitar choques inflacionários e ameaças à meta oficial do governo, a Petrobras é obrigada a importar o combustível com base nos valores praticados no mercado externo e revendê-lo para o consumidor brasileiro a preços mais baixos.

— Por incrível que pareça, a gasolina está cara para os brasileiros mas o seu preço é artificial. Ela está barata quando se compara ao mercado internacional. Na realidade, deveria estar, pelo menos, 30% mais cara para compensar a defasagem. Esta diferença tem empurrado a conta da Petrobras cada mais para o vermelho — analisa Cláudio Pinho.

Levantamento feito pela Datagro, consultoria especializada em energia e agronegócios, mostra que a conjuntura internacional e o fortalecimento recente do dólar ante o real já alavancaram a defasagem do nível dos preços praticados pela gasolina para o maior nível em quase um ano. Até a semana passada, a diferença chegava a 19,5% em comparação aos preços internacionais. Já para o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a variação pode ser ainda maior: pouco mais de 25%.

— No Brasil, o governo usa os combustíveis como política econômica, já que gasolina e o diesel têm a Petrobras como única produtora e importadora. A única época que o Brasil seguiu mercado internacional foi de julho de 1998 a janeiro de 2002 — afirma Adriano Pires.

Procurada pelo GLOBO, a petrolífera estatal informou que não comentaria o assunto.

Nó difícil de desatar

Em janeiro, a petrolífera anunciou alta do preço da gasolina de 6,6% na refinaria, em um movimento amplamente esperado pelo mercado diante das perdas da companhia ante a diferença entre os valores dos combustíveis no país em relação às cotações internacionais. Na ocasião, ajudou a diminuir esta variação, mas a disparada do dólar iniciada em abril ampliou as perdas. De janeiro a maio de 2013, a Petrobras perdeu R$ 2,2 bilhões importando diesel e gasolina, R$ 575,4 milhões com gasolina e R$ 1,6 bilhão em diesel.

Cálculo feito pelo HSBC indica que, atualmente, a petrolífera vende gasolina e diesel importados com descontos de 22% e 18%, respectivamente. Para o banco, a perda total da empresa com essa política será da ordem de R$ 15,6 bilhões. Em relatório, mensura a perda da empresa desde 2011 em quase R$ 42 bilhões. O banco reitera ainda que por conta da atual taxa de inflação e as manifestações no Brasil, a possibilidade de ocorrer um aumento de preço dos combustíveis antes da eleição em outubro de 2014 é quase próxima a zero.

Outro ingrediente que também contribui para esta situação é a tributação da gasolina no Brasil. Apesar de esta sair da refinaria da Petrobras 25% mais barata em comparação a uma refinaria americana, segundo o diretor do CBIE, o combustível chega às bombas mais caro do que em qualquer posto dos EUA, criando este cenário distorcido.

— Não tem mágica. A Petrobras compra mais caro e vende mais barato. Em média, a tributação é de 20% nos Estados Unidos e quase 50% no Brasil. A defasagem, que estava em 9% em abril, por conta do câmbio e dos preços em alta no mercado internacional, cresceu e já comeu totalmente o reajuste de janeiro. A tendência é continuar impactando. — explica Adriano Pires.

Embora o ideal para as contas da empresa seja optar pelo aumento, ele também afirma ser difícil qualquer reajuste antes da eleição.

— As manifestações não admitem aumento de nada e a popularidade do governo caiu para pouco mais de 30%. Não há o mínimo espaço para corrigir este problema a curto prazo — reitera.

Chineses recriam ‘dente’ a partir da urina humana

Urina foi utilizada como fonte de células-tronco; cientista alerta sobre os riscos de contaminação

Dente recriado na China é rudimentar e menos rígido que o dente humano natural Foto: BBCBrasil.com
Dente recriado na China é rudimentar e menos rígido que o dente humano natural

Cientistas chineses criaram dentes rudimentares a partir de algo que poderia ser considerado improvável: a urina humana. O resultado do estudo, apresentado pela publicação científicaCell Regeneration Journal, mostrou que a urina pode ser utilizada como fonte de células-tronco que seriam capazes de se transformar em pequenas estruturas parecidas com os dentes humanos.

O time de cientistas da China espera que a técnica possa ser desenvolvida para possibilitar a reposição de dentes perdidos. No entanto, outros pesquisadores de células-tronco ponderam que para atingir esse objetivo muitos obstáculos ainda precisam ser vencidos.

Times de pesquisadores em todo o mundo estão estudando maneiras criar novos dentes para repor aqueles perdidos pela idade ou por má higiene bucal.

Urina

As células-tronco, que são as células capazes de se transformar em qualquer outro tipo de tecido, são assunto popular de pesquisas. Os pesquisadores do Guangzhou Institutes of Biomedicine and Health, na China, utilizaram a urina como ponto de partida para seus experimentos.

Células que normalmente são expelidas pelo corpo, através do sistema urinário, foram alteradas em para que se tornassem células-tronco. Uma mistura dessas células com outros materiais orgânicos retirados de ratos foi então implantada nos próprios roedores.

Esta (a urina) é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início (do processo) e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa

Chris Masonprofessor da University College of London

Os cientistas chineses afirmaram que depois de três semanas o grupo de células começou a se parecer com um dente: “a estrutura parecida com o dente continha polpa dental, dentina, espaço de esmalte (área vazia do dente que possivelmente poderia ser ocupada pelo esmalte) e órgão de esmalte (estrutura que precede o surgimento do esmalte no dente)”.

Entretanto, o dente criado pelos chineses não era tão rígido quanto um dente natural. Mas ainda que o resultado do estudo chinês não venha a ser utilizado pelos dentistas como uma opção viável, seus pesquisadores defendem que pode nortear pesquisas mais aprofundadas para se chegar ao “sonho final de total regeneração do dente humano para terapia clínica”.

Fonte inadequada

Para o professor Chris Mason, da University College of London (UCL), a urina utilizada pelos chineses foi um ponto de partida inadequado.

“Esta (a urina) é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início (do processo) e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa”, rebate Mason.

“Você simplesmente não faria (a pesquisa) dessa forma”, reforça o pesquisador da UCL.

O cientista também alertou sobre os riscos de contaminação, como aquela causada por bactérias, que seriam bem maiores se comparados ao uso de outros tipos de células.

“O grande desafio aqui é que o dente tenha polpa com nervos e vasos sanguíneos que temos que ter certeza que se integrariam para se transformarem num dente permanente”.